segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Isac Aires Responde

Olá a todos!!!

Durante um período o Blog terá a participação especial de alguns colegas que responderão perguntas sobre sua Cirurgia Bariátrica..

E é com muita alegria que eu começo esta jornada no Blog com a história magnífica do Isac Aires!!! Para quem não sabe, ele foi a minha inspiração para começar este Blog!!! :)

1 - Faz quanto tempo que você fez a Cirurgia Bariátrica?
Eu fiz a cirurgia no dia 13 de março de 2012, então fazem 2 anos, 5 meses e 7 dias.
2 - Com quantos quilos você operou e quanto você pesa hoje?
Na primeira consulta com meu cirurgião eu pesava 196,6 kg, na mesma consulta ele pediu pra eu eliminar peso antes da cirurgia para eu correr menos risco durante a cirurgia, para diminuir a gordura no fígado e também para ir me adaptando aos novos hábitos que eu teria depois da cirurgia, segui seu conselho e com ajuda de uma nutricionista consegui eliminar 21,6 kg em 85 dias, que foi o período que durou o pré-operatório e me operei pesando 175 kg.
Hoje eu peso 88 kg, mas já cheguei a pesar 85 kg e me vi cadavérico, então acho que pesando entre 88 a 90 está ótimo para a minha altura de 1.89 m.



3 - Por que você decidiu fazer a Cirurgia? Sentiu medo?
Decidi fazer a cirurgia porque era a última saída no combate e no controle da obesidade, sabia que a cirurgia não seria a cura, mas somente mais um tratamento e que os resultados dependeriam exclusivamente da minha adesão e da minha mudança de comportamento. Já havia tentado diversas dietas que começavam de manhã e terminavam a noite do mesmo dia, nunca tomei medicamentos pra emagrecer, mas conheço todas as dietas, da lua ao sol, e até da galaxia...e nenhuma delas deram certo, porque dieta é algo que tem começo e fim, e eu tinha que entender que eu deveria mudar os hábitos alimentares para sempre com a reeducação alimentar, só quando eu entendi isso foi que eu entrei nos eixos. Estava precisando viver, costumo dizer que eu não VIVIA pesando quase 200 kg, eu SOBREVIVIA. Tudo era limitado demais, sair da casa era complicado, trabalhar também, comprar roupas era impossível, coisas simples para qualquer pessoa e que para mim era difíceis. Andar no ônibus, vestir um sapato eram tarefas impossíveis, eu sentia mais medo de morrer quando pesava 200 kg do que medo da cirurgia em si, estava em boas mãos, numa excelente equipe, me operei num hospital de excelência, os exames estavam todos ok, então me senti bastante seguro nessa decisão de operar e mudar literalmente de vida.
4 - Você faz o acompanhamento com Nutricionista e Psicólogo até hoje? Isso interfere no seu emagrecimento?
Eu fiz acompanhamento com nutricionista e psicológa durante meu pré-operatório e nos pós operatório até quando completei 1 ano de cirurgia. Eu não faço mais acompanhamento com nutricionista e psicóloga, a primeira razão é financeira mesmo porque acredito que são profissionais excelentes e se eu pudesse continuaria com esse acompanhamento, mas fui acompanhado até completar 1 ano de cirurgia, foi um período de grande aprendizado e onde consegui captar muitas informações de uma alimentação saudável e qualidade de vida. A terapia com acompanhamento psicológico também é extremamente importante, e aconselho a todos fazerem, e assim descobrir seu próprio eu, vasculhar as razões que te levaram até a obesidade mórbida, são 2 setores essenciais pro sucesso da cirurgia.
Hoje consigo manter meu peso mantendo as orientações que recebi da minha nutricionista e sempre quando eu tenho uma dúvida, faço uma ligação pra ela e assim consigo esclarecer. Uma grande dica é que não seja só mais um paciente, seja paciente-amigo, crie laços de amizade com os profissionais de sua equipe, assim terá sempre um suporte quando precisar. Posso dizer que eu sou amigo da minha nutricionista e da minha psicológa, conseguir ultrapassar as paredes do consultório e trazer pra minha vida pessoas tão legais, que me ajudaram em diversos momentos da minha vida tanto antes e como depois da cirurgia.
5 - Qual a sua relação com a comida hoje e como era antes de operar?
A minha relação com a comida hoje é excelente, sei que hoje eu COMO pra VIVER, bem diferente da cirurgia que eu VIVIA pra COMER, e esse comer era qualquer coisa, o desejo de mastigar era incontrolável, a compulsão alimentar soava durante o dia todo e sinceramente nada me saciava. Sempre tinha o desejo de mais e mais comida, e me alimentava sem limite algum, afinal eu queria preencher certos vazios, tristezas, alegrias, angústias com comida, considerava aquilo um porto seguro. Tipo: estou feliz vou comer pra comemorar, briguei com a namorada vou comer para afogar todas as minhas mágoas, e essa compulsão sempre se deu pelos alimentos de maior valor calórico: pizza, chocolates, salgadinhos, produtos industrializados, pães, massas, refrigerantes, batatas fritas, etc.
Hoje, eu olho o que tem servido, analiso cada prato, se um combina com o outro, a textura e o cheiro também são essenciais, e programo mentalmente o que vai para o prato antes de me servir, e gosto de dividir ele de forma bem colorida, sempre pensando e priorizando na QUALIDADE e deixando a QUANTIDADE de lado. Exemplo: quando vou comer no self-service sempre dou uma volta no balcão pra ver as opções de pratos e já vou determinando o que vai ou não pro prato.
Antes da cirurgia eu entrava na fila do self-service e ia me servindo, só pensando na QUANTIDADE  e construindo literalmente o monte Everest de comida, achava sensacional colocar tanta comida no prato e depois repetir, isso regado a muito refrigerante e a cereja do bolo era a sobremesa. Ufa só de pensar nas coisas eu fazia sinto um desgosto dessas minhas antigas atitudes.
6 - Como é a sua auto estima hoje?
A minha auto estima é boa, claro que não estou sempre de bom humor e de bem com vida, afinal não seria o emagrecimento a solução de todos os problemas da minha vida, tem dias que estou legal, tem dias que estou feliz, tem dias tristes, mas posso dizer que eu estou de bem com a vida e comigo mesmo, confiante nas minhas atitudes e certo que estou resgatando um tempo que perdi preso com a obesidade. E viver é bom demais, estou descobrindo que é possível viver, e hoje eu vivo o tempo que foi tirado, afinal foram 29 anos preso na obesidade.
7 - É possível ter auto estima elevada sendo obeso?
Olha, cada dia que passa tem gordinhos e gordinhas na televisão, nas revistas se dizendo felizes e de bem com a vida, pode até ser externamente, mas lá no fundo existe uma sombra, um peso, uma luta dentro de si que eles poderiam ser diferentes, que poderiam viver outras coisas. Quando se é super obeso mórbido que foi o meu caso, você fica condicionado a ser o ponto de referência de muitos preconceitos, o famoso bullying, sofrer violência física-verbal de amigos e familiares é a pior coisa que tem, podemos ser fortes perante eles, mas quando estamos com nós mesmos, somos fracos, sabemos de nossas fraquezas e medos. O obeso(a) é uma pessoa insegura em muitos quesitos, se sente feio(a) e sem força pra lutar contra o mal da obesidade, a pessoa pode até dizer que é feliz, auto astral agora, no presente, mas lá no futuro, a obesidade e as doenças associadas vão cobrar as extravagâncias que fazemos com a alimentação. Hoje consigo encarar de frente a vida, e o gordo é sempre aquele amigo  “engraçado”, porque sempre usamos o humor para tirar a atenção da obesidade que inflama o nosso corpo e nossa alma.
8 - Você já sofreu preconceito quando estava obeso? Se sim, pode contar uma história pra nós?
Sim, muitos, várias vezes fui alvo de preconceito. Vou citar 2 situações mais marcantes que me vieram a memória quando li essa pergunta:
A primeira foi quando o meu avô faleceu e o enterro seria no interior, na época eu tinha 11 anos de idade já beirando os 100 kg, e quando teve a distribuição da caronas nos carros que a gente iria pro interior, a minha mãe pediu que uma “tia” me levasse no carro dela, essa minha tia virou e gritou pros 4 cantos do velório, onde todo mundo conseguiu ouvir e até mesmo meu avô: “eu levar o Isac no meu carro zero km? Impossível, com esse peso todo que ele está vai acabar quebrando o meu carro todo, e tenho o perigo de nem chegar lá pro enterro”. Olha eu fiquei com tanta vergonha nesse dia, virei o centro das atenções, apesar que já era naturalmente, afinal um adolescente pesando 100 kg chama atenção por onde passa, não sabia onde enfiar a minha cara nesse dia. Juntou a dor do falecimento do meu avô, com a dor do preconceito, da repulsa, do egoísmo, da soberba dessa “tia”.
A segunda situação foi quando fui viajar de avião e sempre comprava a poltrona da janela pra não enfrentar problemas, e ficava sentado lá no me cantinho sem incomodar ninguém e nem no banheiro ia. Numa viagem dessas, um casal chegou próximo e olhou a identificação das poltronas e chamou o comissário e fez a seguinte pergunta: Nós vamos viajar em pé? Ele perguntou porque senhora, e eles responderam: Não está vendo aquele gordo ali ocupando os 3 lugares da fileira, e o meu sangue ferveu na hora e disse que não precisava me chamar de gordo, porque eu sabia da minha condição física, mas havia sim espaço pra eles sentarem, afinal não estava deitado e sim sentado na minha poltrona. Observação, o casal era magro. Me levantei e disse os dois poderiam sentar e o comissário me colocou em outra poltrona.
Foram situações tristes, onde nas duas ocasiões tinha muita gente próxima e a minha humilhação ficou registrada por muitas pessoas.
9 - Você conseguiu incluir a atividade física na seu dia a dia? Se sim, conte um pouco desta experiência para motivar os que ainda não conseguiram.
Atividade física é o meu grande prazer de viver hoje, se antes era a comida, hoje encontro prazer na ENDORFINA que a atividade física me proporciona. Com quase 200 kg no processo pré-operatório só conseguia caminhar poucos minutos, mas me ajudou bastante nesse processo de emagrecimento que eu mencionei antes. Depois da cirurgia continuei com as caminhadas e quando fui liberado pelo meu cirurgião fui agregando novas atividades, como o ciclismo, a corrida, a academia. No começo tudo dói, o corpo reclama demais, e você pensa que vai morrer com o esforço físico que você faz, mas atividade física proporciona algo muito interessante, que é a superação, ou seja, você está sempre procurando superar as suas metas, se ontem eu corri 1 km, hoje eu quero correr 1 km e mais 100 metros, essa superação, esse gostinho que podemos mais, o conhecimento corporal também que você adquiri com a atividade física é essencial, e além disso fazer novas amizades é muito bom, estar junto com pessoas que também estão buscando o bem estar e qualidade de vida, isso é muito motivante.



10 - Qual a relação com seu corpo hoje? Esta satisfeito com os resultados físicos?
Sempre tive em mente que a cirurgia não seria uma cirurgia de estética, apesar que muita gente pensar dessa forma, é uma pena. O meu corpo foi muito machucado e castigado pela obesidade, há estrias, flacidez em algumas partes do corpo, mas eu não busquei corrigir as minhas imperfeições corporais com a cirurgia, eu queria resgastar a minha vida, resgastar o gosto de viver e poder aproveitar a vida plenamente. Hoje eu enfrento o espelho tranquilamente, coloquei até um dentro do meu quarto, antes eu fugia de espelho e fotos, eu gosto do que eu vejo, claro que cabia algumas correções aqui ou acolá através de plásticas, mas isso depende muito do seu propósito pós cirurgia. Os resultados físicos são excelentes, tenho um corpo legal, hoje me vejo magro e as pessoas também, consigo entrar numa loja e comprar uma calça 44, pra quem chegou a vestir 84, estou no lucro e usar uma camisa M, pra quem vestia XXXEEEGGG.

Nunca serei perfeito, e não há nada perfeito nesse mundo...só busco VIVER...




Gostaram né?! Uma inspiração!!!

OBRIGADA PELA VISITA!!!

Este Blog me faz muito bem e por isso ele existe com muito carinho!!!

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5 comentários:

  1. Adorei, realmente uma inspiração!!! ;)

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  2. Adoro o Isac , ele tbm foi meu inspirador pra blogar e para emagrecer, o sumiço dele nas redes sociais muito me entristeceu e saber que ele voltou me dá muita alegria! Bjos

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    1. Obrigado Silvia pelo carinho de sempre, abraços e sucesso!

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  3. eu sete meses s operada so perdi 30quilos wu pesava 136hj106 ease mes nao perdi nada estou preocupada

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